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Gestão

Como organizar o estoque de uma loja de autopeças: Meu erro que quase quebrou a loja

Reginaldo Stocco · 5 min de leitura
An adult woman in uniform checking inventory in a warehouse aisle.
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Vou te confessar uma coisa: por anos, eu tive orgulho do meu estoque. As prateleiras eram limpas, as caixas alinhadas. Se um cliente pedia uma pastilha de freio do Gol G5, eu ia direto na prateleira B, corredor 3, e pegava. Rápido, eficiente. O cliente ficava impressionado.

O problema? Essa organização só existia na minha cabeça. A lógica era minha. Se eu tirasse férias ou, Deus me livre, ficasse doente, a loja parava. Ninguém mais achava nada. E o pior: essa falsa sensação de controle escondia um ralo de dinheiro.

Eu comprava no "achismo", precificava no susto e, no fim do mês, olhava pro estoque cheio e pro caixa vazio, sem entender o porquê. A verdade é que arrumar prateleira não é organizar estoque. Organizar estoque é método, é sistema, é saber exatamente o valor de cada parafuso que você tem parado aí dentro. E foi aprendendo isso na marra que eu salvei meu negócio.

Por onde eu começo a organizar a bagunça?

O primeiro passo dói, mas é necessário: aceite que você vai precisar de um ou dois dias de "caos controlado". É o dia de botar tudo pra fora, limpar as prateleiras e começar do zero. Chame um funcionário de confiança, feche a loja se precisar, mas faça direito.

O objetivo aqui é criar um sistema que qualquer pessoa consiga entender, não só você. A pergunta que você tem que se fazer é: "Se eu sumir por uma semana, a loja continua vendendo?". Se a resposta for não, seu sistema tá errado.

Comece separando as peças em grandes famílias. Não é por carro, ainda. É por tipo: tudo que é de freio num canto, tudo que é de suspensão em outro, parte elétrica, filtros, correias... Crie essas grandes áreas na sua loja ou no seu depósito. Essa é a base, o primeiro nível de organização que vai impedir que um filtro de ar vá parar no meio das velas de ignição.

Como criar uma codificação de peças que funciona de verdade?

Solução para o seu segmento

Cansado de perder dinheiro com estoque bagunçado?

Um sistema de gestão automatiza seu controle de estoque, da entrada da nota à venda no balcão, e te dá o controle total da sua autopeças. Chega de achismo.

Quero organizar minha loja

Aqui é onde a maioria das autopeças se perde. Uma mesma peça tem o código do fabricante, o código da montadora, às vezes um código similar de uma marca paralela... Vira um inferno. Você acaba dependendo da memória do vendedor ou da caixa certa. E se a caixa foi trocada? Prejuízo na certa.

A solução é criar um padrão de código SEU, um código interno. Ele vai ser o RG da peça dentro da sua loja. Um formato que eu gosto e que funciona bem é simples:

`(SIGLA DA CATEGORIA) - (SIGLA DO FABRICANTE) - (FINAL DO CÓDIGO ORIGINAL)`

Por exemplo, uma pastilha de freio da marca Bosch, código original 58101D7A00, poderia virar: `FRE-BOS-D7A00`. Simples, lógico e fácil de entender. Com esse código único, você pode imprimir uma etiqueta e colar na peça ou na prateleira. Acabou o "será que é essa?".

Fazer isso em etiquetas de papel já é um avanço gigantesco. Mas a verdade é que um sistema de gestão que gera essas etiquetas com código de barras na entrada da nota fiscal muda o jogo. A chance de erro manual despenca e a velocidade pra encontrar e vender a peça aumenta muito.

Curva ABC para autopeças: como parar de empatar dinheiro em peça que não vende?

Essa foi a virada de chave pra mim. Eu tratava um kit de embreagem, que vendo a cada dois meses, com a mesma importância de um filtro de óleo, que vendo todo dia. Resultado: prateleira cheia de peça cara e pouco dinheiro em caixa pra comprar o que realmente tinha giro.

A Curva ABC é um jeito de classificar seu estoque pelo impacto no faturamento. É simples:

  • Curva A: São poucas peças, mas que representam a maior parte (uns 70%) do seu faturamento. Óleo de motor, filtros, palhetas, pastilhas de freio de carros populares... Isso aqui NÃO PODE FALTAR. O lucro em cada uma pode ser pequeno, mas o vo
  • Curva B: As peças de giro médio. Amortecedores, kits de embreagem, bombas d'água. Vendem bem, mas não todo dia. Aqui o controle tem que ser fino pra não comprar demais e nem deixar faltar. Representam uma parte intermediária do faturamento.
  • Curva C: A grande maioria das peças do seu estoque. Um farol de um carro antigo, um sensor específico de um modelo importado... Vendem muito pouco, mas ocupam espaço e consomem seu dinheiro. É aqui que mora o perigo do "estoque morto". A es

Quando eu fiz essa análise pela primeira vez, levei um susto. Eu tinha mais de 40% do valor do meu estoque em peças de Curva C. Dinheiro parado que poderia estar sendo usado pra comprar mais itens da Curva A e girar o caixa.

Ok, entendi a teoria. Como organizar o estoque de uma loja de autopeças na prática?

Com a casa categorizada, codificada e classificada pela Curva ABC, a organização física e o controle ficam fáceis. É a hora de juntar tudo.

  1. Crie 'endereços' para as prateleiras: Use um sistema simples como Corredor A, Prateleira 01, Nível 03 (A-01-03). E anote o endereço de cada peça no seu controle, seja ele uma planilha ou um sistema.
  2. Posicione as peças de forma inteligente: Peças da Curva A na frente da loja, na altura dos olhos. Curva B logo atrás. Curva C pode ficar no alto, nos fundos, já que o acesso é raro.
  3. Implemente o inventário rotativo: Esqueça a ideia de fechar a loja por dois dias no fim do ano pra contar tudo. Isso não funciona. Em vez disso, conte um pouquinho todo dia. Hoje, você conta a prateleira de velas. Amanhã, a de correias. Na
  4. Ajuste o estoque imediatamente: Achou uma diferença entre o físico e o seu controle? Ajuste na hora. Não deixe para depois. É assim que você descobre pequenos furtos, perdas ou erros de lançamento antes que virem um rombo.

Manter o controle do inventário rotativo no caderno é complicado e sujeito a erros. É nesse ponto que um bom software de gestão se paga, porque ele pode até sugerir quais itens contar e permite fazer o ajuste de estoque com alguns cliques, mantendo o histórico de tudo.

Hoje, quando um mecânico me liga pedindo uma peça, eu não digo "acho que tenho". Eu bato o código no computador e digo: "Tenho duas no estoque, estão na prateleira D-04-02, custaram X e o preço de venda é Y". A organização deixou de ser sobre arrumar a loja e passou a ser sobre ter o controle do meu negócio na palma da mão.

Dá trabalho no começo? Sim, não vou mentir. Mas a paz de saber exatamente onde está seu dinheiro e ter certeza de que cada venda está te dando lucro... isso não tem preço.

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Perguntas frequentes

Qual a melhor forma de organizar peças pequenas como parafusos e arruelas?
Para peças pequenas, utilize gaveteiros plásticos ou caixas organizadoras com divisórias. Etiquete cada gaveta ou compartimento de forma clara, com o código e a descrição do item. Agrupe os gaveteiros por tipo (parafusos de roda, abraçadeiras, conectores) para facilitar a localização.
Devo manter em estoque peças de carros que já saíram de linha?
Depende da demanda na sua região. Analise o histórico de vendas. Se uma peça para um carro antigo tem venda recorrente (Curva B), mantenha um estoque mínimo. Se a venda é raríssima (Curva C), o ideal é trabalhar sob encomenda para não imobilizar capital em um item de baixo giro.
O que é 'estoque morto' em uma autopeças e como me livro dele?
Estoque morto são as peças que estão paradas na prateleira há muito tempo (geralmente mais de 12 meses) sem nenhuma venda. Para se livrar dele, faça promoções agressivas, ofereça como brinde na compra de outros itens, ou negocie a devolução com seu fornecedor, mesmo que por um valor menor.
Com que frequência devo fazer o inventário do meu estoque de autopeças?
Em vez de um grande inventário anual, adote o inventário rotativo. Conte um pequeno grupo de produtos toda semana. Itens da Curva A (alto giro) devem ser contados com mais frequência, como mensalmente, enquanto itens da Curva C (baixo giro) podem ser contados a cada seis meses ou anualmente.

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