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Gestão

Gestão loja de material de construção: por que sua equipe rende menos do que deveria

Reginaldo Stocco · 7 min de leitura
A warehouse worker wearing a beanie uses a tablet to manage inventory in a storeroom with shelves.
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Semana passada eu entrei numa loja de material de construção no interior de São Paulo. Balcão cheio, dois clientes esperando orçamento, telefone tocando. O vendedor pediu licença, foi até os fundos, voltou, perguntou pro dono se tinha vergalhão 3/8 em estoque. O dono tava no telefone, fez sinal pra esperar. O cliente da vez olhou pro relógio. O vendedor ficou ali, parado, segurando a caneta.

Eu sei o que você vai dizer: "falta de iniciativa". Eu digo: falta de sistema. E não é falta de vontade de trabalhar — é falta de informação na mão de quem precisa dela pra fechar a venda.

A opinião polêmica que eu trago aqui é essa: o maior ladrão de produtividade na sua loja de material de construção não é funcionário lerdo, não é geração Z no celular, não é preguiça. É você mantendo a informação trancada na sua cabeça, na planilha do computador do escritório ou no caderninho que só você entende.

Vou te mostrar por que isso acontece e o que fazer pra sua equipe render o dobro sem você contratar ninguém novo.

Por que a equipe da loja de material de construção fica parada esperando resposta?

Toda vez que um vendedor precisa te perguntar se tem estoque, qual o preço do cimento hoje, se pode dar desconto, se o pedido do cliente X já chegou — ele para. E enquanto ele espera você terminar o que tá fazendo, o cliente espera também. Ou desiste.

O problema não é a pergunta. O problema é que a pergunta existe porque a informação não tá acessível.

Eu vejo isso direto: dono controla tudo no caderninho ou numa planilha que só ele mexe, vendedor não tem acesso, estoquista não sabe o que foi vendido hoje, caixa não sabe se o produto que o cliente quer tá separado ou ainda tá na prateleira. Resultado: todo mundo pergunta tudo pra você o tempo todo.

E aí você reclama que a equipe não resolve nada sozinha.

Mas como que o cara vai resolver sozinho se ele não tem a informação? Ele não é vidente. Se o estoque não tá visível pra ele, se o preço de tabela muda e você não avisa, se o pedido do cliente chegou mas ninguém registrou — ele VAI te perguntar. E enquanto isso, a produtividade despenca.

O que é gestão de loja de material de construção que aumenta produtividade de verdade?

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Gestão de loja de material de construção não é só saber quanto você tem de cada produto. É organizar o fluxo de informação de um jeito que cada pessoa da equipe consiga fazer o trabalho dela sem depender de você pra tudo.

Isso significa três coisas práticas:

Primeiro: todo mundo que precisa saber o estoque tem que conseguir consultar o estoque. Não adianta você ter uma planilha bonitinha se só você abre ela. O vendedor no balcão, na hora que o cliente pergunta, precisa saber se tem ou não tem. Se ele tiver que ir até você, parou. Se ele tiver que ligar pro estoque, parou. Dois minutos perdidos em cada consulta viram duas horas no fim do dia.

Segundo: preço tem que estar visível e atualizado. Não dá pra você mudar o preço do saco de cimento na segunda de manhã e o vendedor descobrir na quarta quando o cliente reclama que tá mais caro. Ou pior: ele dá um preço errado, você perde margem ou perde a venda. Informação de preço desatualizada é retrabalho garantido.

Terceiro: pedido de cliente, separação, entrega — tudo isso tem que estar registrado num lugar que todo mundo acessa. Cliente ligou perguntando se o pedido chegou? Qualquer um da equipe tem que conseguir responder. Se só você sabe, você vira gargalo. E gargalo não escala.

Esses três pontos parecem óbvios, mas eu te garanto: a maioria das lojas de material de construção que eu visito não faz nenhum dos três direito. E depois o dono reclama que tem que fazer tudo sozinho.

Como organizar o controle de estoque pra equipe trabalhar sozinha?

Vou ser direto: se o seu estoque tá numa planilha que só você mexe, ou num caderno que fica na gaveta, você criou uma dependência artificial. A equipe não consegue trabalhar sem você porque você não deixa.

O primeiro passo é tirar o controle de estoque da sua cabeça e colocar num lugar acessível. Pode ser uma planilha compartilhada no Google Drive, pode ser um caderno de estoque que fica no balcão, pode ser um sistema de gestão que todo mundo loga. O formato importa menos do que o acesso.

Mas atenção: planilha compartilhada funciona SE todo mundo atualizar na hora. E na prática, isso não acontece. Vendedor vende, esquece de anotar. Estoquista recebe mercadoria, anota no papel, esquece de passar pra planilha. No fim do dia, o estoque tá errado e você volta a ser o único que sabe o que tem de verdade.

Por isso eu defendo que, a partir de um certo volume de venda — e material de construção costuma ter volume —, vale a pena ter um sistema que registra entrada e saída automaticamente, na hora que acontece. Não é sobre tecnologia por tecnologia. É sobre eliminar o erro manual e o esquecimento, que são os dois maiores inimigos do controle de estoque em loja de construção.

Quando o estoque sai do sistema na hora da venda, todo mundo vê a mesma informação ao mesmo tempo. O vendedor sabe se tem, o estoquista sabe o que separar, você sabe quando repor. A equipe para de perguntar e começa a resolver.

O que fazer quando a equipe não segue o processo que você criou?

Você montou a planilha, explicou como preencher, todo mundo concordou. Uma semana depois, metade da equipe voltou a anotar no papelzinho e te perguntar tudo de novo.

Isso acontece por dois motivos: ou o processo que você criou é complicado demais, ou não tem consequência clara pra quem não segue.

Se o processo depende de cinco passos, três planilhas e um caderno auxiliar, ninguém vai seguir. Processo bom é processo simples. Vendeu? Registra na hora, num lugar só. Recebeu mercadoria? Registra na hora, no mesmo lugar. Se você precisa de manual pra explicar, tá errado.

E se o processo é simples mas mesmo assim ninguém segue, aí o problema é outro: falta de cobrança. Você tem que deixar claro que, a partir de agora, quem não registrar a venda ou a entrada de estoque vai ter que refazer o trabalho. E você tem que cobrar isso todo dia, nas primeiras semanas, até virar hábito.

Eu vi isso funcionar numa loja em Minas Gerais. O dono parou de responder perguntas que a equipe conseguia resolver sozinha olhando o sistema. Cliente perguntou se tem telha? Olha no sistema. Preço do bloco? Tá na tabela atualizada. Pedido do Seu João chegou? Consulta lá. Nas primeiras semanas foi um inferno. Depois de um mês, a equipe parou de perguntar e começou a vender mais rápido. Produtividade subiu, estresse dele caiu.

A lição é essa: você ensina a equipe a ser dependente ou a ser autônoma. Se você sempre responde, eles sempre vão perguntar. Se você cria o processo, dá acesso e cobra que sigam, eles aprendem a resolver sozinhos. E aí sim você tem uma equipe produtiva.

Vale a pena investir em sistema de gestão pra loja de material de construção pequena?

Essa é a pergunta que eu mais ouço. E a minha resposta é: depende do que você chama de pequena.

Se você vende 20, 30 itens por dia, tem dois funcionários e ainda consegue lembrar de cabeça o que tem no estoque, talvez você aguente mais um tempo na planilha. Mas se você vende 50, 60 itens por dia, tem três ou mais pessoas na equipe, recebe mercadoria toda semana e já perdeu venda porque achou que tinha estoque e não tinha — você já passou do ponto.

O sistema de gestão não é luxo. É ferramenta. E ferramenta serve pra fazer o trabalho mais rápido e com menos erro. Se você tá gastando duas horas por dia conferindo estoque, corrigindo preço, respondendo pergunta que a equipe podia resolver sozinha — essas duas horas pagam o sistema sozinhas.

Eu não tô dizendo que você precisa do sistema mais caro do mercado. Tô dizendo que você precisa de um jeito de centralizar a informação e dar acesso pra quem precisa dela. Pode ser um sistema simples, pode ser até uma planilha bem-feita SE você conseguir garantir que todo mundo vai atualizar na hora. Mas na prática, isso raramente acontece. E aí o sistema acaba sendo mais barato do que o custo do erro manual.

O que eu recomendo: teste por um mês. Coloca o básico no ar — cadastro de produto, entrada e saída de estoque, preço atualizado. Se no fim do mês a equipe tiver respondendo menos pergunta e você tiver ganhado duas horas do seu dia de volta, valeu. Se não mudou nada, o problema não era ferramenta, era processo — e aí você ajusta.

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Perguntas frequentes

Como aumentar a produtividade da equipe em loja de material de construção?
Aumente a produtividade dando acesso direto à informação que a equipe precisa pra trabalhar: estoque atualizado, preço correto e status de pedidos. Quando o funcionário consegue consultar esses dados sozinho, sem depender do dono, ele resolve mais rápido e vende mais. Processos simples e informação acessível eliminam a maioria das interrupções que travam o dia.
Qual o maior erro na gestão de loja de material de construção?
O maior erro é centralizar toda a informação no dono e não dar acesso à equipe. Quando só uma pessoa sabe o estoque real, o preço atualizado ou o status dos pedidos, ela vira gargalo. A equipe fica dependente, a produtividade cai e o dono vira refém do próprio negócio. Descentralizar informação é o primeiro passo pra escalar.
Como organizar o estoque de material de construção sem perder controle?
Organize o estoque registrando entrada e saída no momento em que acontecem, num lugar acessível a todos que precisam da informação. Pode ser planilha compartilhada ou sistema de gestão, mas tem que ser atualizado na hora da movimentação. Conferência semanal ajuda a corrigir desvios, mas o controle real acontece no dia a dia, venda por venda, recebimento por recebimento.
Quando vale a pena usar sistema de gestão em loja de material de construção?
Vale a pena quando o volume de vendas e a quantidade de produtos tornam impossível controlar tudo de cabeça ou em planilha manual sem erro. Se você vende mais de 40 itens por dia, tem equipe de três pessoas ou mais, ou já perdeu venda por falta de informação correta de estoque, o sistema paga o próprio custo eliminando retrabalho e erro.
Como fazer a equipe seguir o processo de controle de estoque?
Crie um processo simples, de preferência com um único ponto de registro, e cobre o cumprimento todos os dias nas primeiras semanas até virar hábito. Se o processo for complicado, ninguém segue. Se for simples mas você não cobrar, também não segue. A chave é simplicidade na execução e consistência na cobrança, até que o time entenda que não registrar gera mais trabalho do que registrar.

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