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Vendas

Eu achava que sabia precificar — e o lucro sumia todo mês

Equipe Blog Gestão Publicado em 13 de junho de 2026 Revisado em maio de 2026 5 min
Balcão de loja de roupas com etiquetas de preço manuscritas e calculadora ao lado
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Eu já fiz isso mais vezes do que gosto de admitir. Chega o fornecedor com uma coleção nova, você olha o preço de custo, faz uma conta de cabeça — ah, vou colocar o dobro, talvez um pouquinho menos pra girar rápido — e pronto. Etiqueta colada, peça na araras. Parece que deu certo. A loja vende, o dinheiro entra. Só que no fim do mês, quando você senta pra fechar as contas, cadê o lucro? Sumiu. E você jura que vendeu bem.

Essa foi a minha rotina por anos. Eu achava que tinha controle. Afinal, conhecia meu estoque de cor, sabia de cabeça quanto pagava em cada peça, tinha até uma planilha (que eu atualizava quando dava tempo, confesso). Mas a verdade é que eu estava fazendo preço no susto. E isso estava me quebrando devagar.

O dia em que a conta não fechou de jeito nenhum

Foi numa quinta-feira. Eu tinha acabado de pagar fornecedor, aluguel, funcionária. Abri o caixa, olhei pro saldo da conta. Não dava. Simplesmente não dava. E não era falta de venda — a semana tinha sido boa, várias peças tinham saído. Sentei na salinha dos fundos, peguei a calculadora e comecei a refazer as contas. Aí caiu a ficha.

Aquela blusa que eu vendi por 89 reais? Tinha custado 52. Parecia uma margem boa, né? Só que eu não tinha contado direito o frete (que veio rateado entre várias peças), não tinha considerado que dei 10% de desconto pra cliente fechar a compra, e muito menos tinha lembrado que paguei comissão pra vendedora. Quando botei tudo na ponta do lápis, o lucro real daquela blusa era uns 8 reais. Oito. Pra pagar luz, água, contador, embalagem, sacola, cartão que demora pra cair.

E o pior: eu tinha feito isso com metade do estoque. Precificação no susto. Um chute educado, mas chute.

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Porque parece funcionar. Você vende, o dinheiro entra, a loja gira. Só que girar não é lucrar. E quando você não tem uma gestão de loja de roupas que mostre isso na tela, fica fácil se enganar. Você olha pro movimento e pensa que tá tudo certo. Mas certo mesmo seria sobrar dinheiro no fim do mês. E não sobra.

Eu conversava com outros donos de loja, todo mundo fazia igual. Pegava o preço de custo, multiplicava por 2, por 2,5, às vezes por 3 se a peça era mais exclusiva. Parecia uma ciência exata. Mas ninguém tava contando os custos invisíveis: o frete que veio embutido, a peça que ficou encalhada e você teve que liquidar, o desconto que virou hábito pra não perder venda, a taxa do cartão que corrói a margem.

Sem falar no controle de estoque por grade. Quando você vende um vestido P azul, mas não baixa direito do sistema (ou pior, não tem sistema), você acha que ainda tem aquela peça. Aí promete pra cliente, vai conferir, cadê? Vendeu semana passada e esqueceu de anotar. Ou anotou, mas a anotação se perdeu. Resultado: você recompra sem necessidade, ou fica sem o que vender porque não sabia que tinha acabado.

O que eu mudei (e funcionou)

Primeiro: parei de fazer preço de cabeça. Sentei, peguei papel e caneta, e listei TODOS os custos que uma peça carrega. Custo do fornecedor, frete, embalagem, comissão, impostos, taxa de cartão, despesas fixas rateadas. Parece chato? É. Mas é a única forma de saber se você tá lucrando ou trabalhando de graça.

Segundo: comecei a registrar tudo. Cada entrada de mercadoria, cada saída, cada cor, cada tamanho. Porque não adianta saber que você tem 10 blusas se não sabe quantas são P, M ou G. Cliente quer o M, você acha que tem, vai lá e só sobrou GG. Venda perdida. E você nem percebe que isso tá acontecendo toda semana.

Terceiro (e isso doeu): aceitei que planilha e caderninho não dão conta. Não quando você tem 200, 300 peças rodando, com grade de cor e tamanho, com fornecedor que manda nota de um jeito, cliente que paga parcelado, funcionária que vende e ganha comissão. É muita variável. Você até consegue fazer no papel, mas perde tempo, erra, esquece. E esquecimento custa dinheiro.

A virada veio quando automatizei o básico

Eu resistia. Achava que sistema era coisa pra loja grande, que ia ser caro, complicado, ia dar trabalho treinar a equipe. Até que uma amiga (que também tem loja) me cutucou: experimenta o vhsys. É simples, é brasileiro, e resolve essas dores que você tá sentindo.

Testei. E em duas semanas eu já conseguia ver coisa que nunca tinha visto antes: margem real de cada produto, quanto eu tinha de cada tamanho e cor, quais peças estavam encalhando, qual vendedora tava performando melhor. Tudo numa tela. Sem precisar caçar papel, sem refazer conta três vezes.

O controle de estoque por grade foi o que mais me salvou. Porque agora, quando entra uma remessa, eu cadastro: blusa floral, P (3 unidades), M (5), G (4), GG (2). Vendeu um M? O sistema baixa sozinho. Eu sei na hora o que tem, o que falta, o que precisa repor. Não tem mais aquele susto de prometer pro cliente e descobrir que não tem.

E a precificação? O sistema me ajuda a calcular. Eu coloco o custo, ele já puxa impostos, taxas, despesas. Eu defino a margem que eu quero (de verdade, não no chute), e pronto. O preço sai certinho. Se eu quiser dar desconto, eu vejo na hora se ainda sobra lucro ou se vou vender no prejuízo.

O que sobrou no fim do mês

Depois que arrumei a casa — precificação honesta, estoque controlado, custo na ponta do lápis — o caixa começou a fechar. Não da noite pro dia, mas em dois, três meses, eu já conseguia ver a diferença. Sobrava dinheiro. Dinheiro de verdade, que dava pra reinvestir, pra fazer uma reserva, pra não entrar em desespero quando chegava boleto.

Eu ainda vendo as mesmas peças, pro mesmo público, na mesma rua. A diferença é que agora eu sei quanto eu ganho de verdade em cada venda. E sei o que tenho no estoque sem precisar ir lá contar na mão.

Se você tá naquela de vender bem mas não sobrar nada, para e olha tua precificação. Para de verdade. Pega uma peça que você vendeu essa semana e refaz a conta: custo + frete + imposto + comissão + taxa + desconto que você deu. Quanto sobrou? Se a resposta te assustou, você tá no caminho certo. Porque agora você sabe o que precisa consertar.

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