Voltar
Gestão

O dia que cobrei R$ 25 num corte que custava R$ 42 pra fazer

Por Equipe Blog Gestão 6 min
Atualizado em 1 de julho de 2026
Barbeiro conferindo valores em caderno sobre balcão de barbearia com tesouras e produtos ao fundo
Compartilhar:

Teve um sábado que eu sentei com o Marcão — dono de uma barbearia no centro de Campinas — pra entender por que ele trabalhava feito um condenado e no fim do mês sobrava uma miséria. A agenda dele tava lotada, três cadeiras funcionando direto, fila na porta. Tudo indicava que o negócio ia bem. Só que não.

A gente abriu a planilha dele. Ou melhor, o caderninho onde ele anotava os gastos. Aluguel, energia, água, produto, salário dos barbeiros. Tudo lá, mais ou menos. Aí eu perguntei: quanto custa pra você fazer um corte + barba? Ele olhou pra mim e falou: 'Cara, eu cobro quarenta e cinco. Dá uns vinte de lucro, mais ou menos'.

Mais ou menos. Essa expressão me dá calafrio até hoje.

A gente passou a tarde inteira destrinchando cada centavo. Produto por cliente, energia da máquina, toalha lavada, cafezinho, comissão do barbeiro, aquele percentual do aluguel dividido por atendimento. Sabe quanto deu o custo real de cada corte + barba? Quarenta e dois reais e sessenta centavos. Ele tava cobrando quarenta e cinco e achando que lucrava vinte.

O lucro real? Dois reais e quarenta centavos. Por cliente. Num sábado cheio, com doze atendimentos, ele faturava quinhentos e quarenta reais e embolsava menos de trinta de lucro líquido. Trinta. Pra trabalhar oito horas em pé.

Por que a gente erra tanto na precificação

Porque a gente faz conta de padaria. Olha o que o concorrente cobra, tira uns dois reais pra ser competitivo, e pronto. Ou então pega o custo do produto — tipo aquele shampoo de barba — e multiplica por três. 'Comprei por dez, vendo por trinta, tô lucrando vinte'. Não, você não tá.

Esquece que cada cliente que senta na cadeira consome muito mais que produto. Consome energia elétrica. Consome água quente. Consome a toalha que você lavou (e pagou pra lavar, ou pagou a máquina e o sabão). Consome o cafezinho que você oferece. Consome o tempo do barbeiro — que recebe comissão ou salário. Consome um pedaço do aluguel daquele dia.

E tem mais: consome depreciação. Aquela máquina Wahl que você comprou por mil e duzentos reais? Ela não dura pra sempre. A cada corte, ela tá um pouquinho mais perto de precisar trocar a lâmina, de queimar, de virar sucata. Isso também é custo. Só que ninguém bota na conta.

Aí você trabalha mês cheio, atende bem, recebe elogio no Google, e quando chega dia 28 olha a conta e pensa: 'Pra onde foi o dinheiro?' Foi pro ralo. Porque você vendeu abaixo do custo sem saber.

O caderninho mente — e a planilha também

Solução para o seu segmento

Quer ver quanto cada serviço realmente custa na sua barbearia?

O vhsys calcula automaticamente o custo real de cada atendimento, te mostra a margem de lucro por serviço e ajuda você a precificar sem chute. Teste grátis e pare de trabalhar no prejuízo sem saber.

Testar o vhsys grátis

Depois do Marcão, eu atendi mais umas quinze barbearias. Todas com o mesmo drama. Caderninho, planilha do Excel com fórmula copiada errada, conta feita na calculadora do celular. O problema não é a ferramenta — o problema é que a gente não tem tempo (nem paciência) pra atualizar isso todo santo dia.

Você compra um fornecedor novo, esquece de anotar. Sobe a conta de luz, você não refaz a conta. Dá um aumento pro barbeiro, a planilha continua com o valor antigo. E quando você percebe, tá três meses cobrando um preço defasado.

Sem falar que calcular custo por serviço dá trabalho. Você tem que pegar tudo — absolutamente tudo — que entra de despesa fixa e variável, dividir pela quantidade de atendimentos, somar o custo direto de cada procedimento. É chato. É demorado. E no dia a dia de uma barbearia, ninguém tem cinco horas livres pra sentar e fazer isso direito.

Então a gente chuta. E chute em precificação é certeza de sangria.

Aquele cliente que você atende de graça sem saber

Tem um serviço que é campeão de prejuízo disfarçado: o acabamento rápido. Sabe aquele cara que aparece na terça de manhã só pra 'dar uma ajeitada no pé'? Você cobra dez, quinze reais. Parece que tá ganhando dinheiro fácil, né? Quinze minutos de trabalho, quinze conto no bolso.

Só que esses quinze minutos ocupam a cadeira. Consomem produto. Consomem toalha. Consomem o barbeiro — que podia estar atendendo um corte completo de sessenta reais. E se você fizer a conta real, vai ver que aquele 'acabamento de dez reais' custa oito e meio pra fazer. Lucro: um e cinquenta.

Não estou dizendo pra parar de fazer acabamento. Estou dizendo pra saber o que ele realmente custa. Porque se você oferecer ele como cortesia — tipo 'cliente VIP não paga' — você precisa saber que tá abrindo mão de oito e cinquenta, não de dez. Pequena diferença? Multiplica por sessenta acabamentos no mês. Vira quinhentos reais de prejuízo invisível.

Como eu consertei isso (e como você conserta também)

Voltando pro Marcão. A gente refez a precificação inteira. Levantou cada custo fixo, rateou por dia útil, dividiu por atendimento médio. Somou custo variável: produto por grama, energia por hora de máquina ligada, lavanderia terceirizada. Colocou margem de segurança — porque imprevistos acontecem. E chegou num preço real.

O corte + barba que ele vendia por quarenta e cinco passou pra sessenta e cinco. Ele ficou apavorado. 'Vou perder cliente, ninguém paga isso aqui'. Eu falei: testa. Sobe o preço, melhora a experiência, e vê o que acontece.

Ele perdeu dois clientes. Dos que ficaram, ninguém reclamou. Porque barbearia boa — com agendamento que funciona, barbeiro que não atrasa, ambiente limpo — vale o preço. O que não vale é trabalhar de graça.

Três meses depois, o Marcão me ligou. 'Cara, eu tô conseguindo poupar. Primeira vez em dois anos.' Não era mágica. Era precificação honesta.

E dá pra fazer isso sem virar contador?

Dá. Mas você precisa de um sistema que organize isso pra você. Não adianta planilha que você esquece de abrir. Não adianta caderninho que some. Você precisa de algo que registre cada atendimento, cada despesa, e que te mostre — sem você ter que calcular na mão — quanto cada serviço realmente custa.

Tem barbearia que uso o vhsys exatamente pra isso. O sistema puxa os custos, divide por atendimento, e te dá o número limpo. Você consegue ver, serviço por serviço, se tá lucrando ou sangrando. E consegue ajustar antes de quebrar.

Não é sobre tecnologia. É sobre parar de adivinhar. Porque gestão de barbearia não pode ser baseada em 'acho que tá dando certo'. Tem que ser baseada em número real. E número real só sai de registro real.

O que muda quando você sabe o preço certo

Muda tudo. Você para de ter medo de investir, porque sabe que o serviço paga. Você para de trabalhar no desespero, aceitando qualquer cliente a qualquer preço. Você consegue planejar: 'Se eu fizer tantos atendimentos esse mês, sobra tanto'. E mais importante: você dorme tranquilo.

Porque não tem sensação pior do que trabalhar feito louco e terminar o mês sem saber pra onde foi o dinheiro. Você atendeu. Você fez bonito. Você encheu agenda. E no fim, não sobrou. Isso acaba com qualquer um.

Então se você tá nessa — trabalhando muito, faturando até bem, mas sem ver a cor do lucro — para. Senta. Pega cada serviço que você oferece e faz a conta de verdade. Quanto custa fazer? Quanto você tá cobrando? A diferença é suficiente pra pagar suas contas e ainda sobrar?

Se a resposta for não, ou se for 'acho que sim', você já sabe o que fazer. Porque barbearia não quebra por falta de cliente. Quebra por falta de margem. E margem começa na precificação.

Compartilhar:

Artigos relacionados