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Gestão

Eu gastava 3 horas por dia conferindo estoque — e ainda assim sumia remédio

Por Equipe Blog Gestão 5 min
Atualizado em 1 de julho de 2026
Dono de farmácia conferindo estoque manualmente com prancheta e caneta entre prateleiras de medicamentos
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Eu tinha um ritual. Todo dia, logo depois de abrir a farmácia, pegava meu caderno pautado — aquele azul marinho, de capa dura — e começava a conferir o que tinha vendido no dia anterior. Anotava tudo: lote, validade, quantidade. Depois, passava pra planilha no computador. Achava que estava fazendo gestão de farmácia do jeito certo, sabe? Aquela coisa de ter controle total, de saber onde estava cada caixa de dipirona.

Só que isso me tomava umas três horas por dia. Três horas que eu podia estar conversando com cliente, negociando com fornecedor, pensando em como trazer mais gente pra dentro da loja. Mas eu tava ali, de cabeça baixa, conferindo número.

E o pior: mesmo assim, remédio sumia. Eu descobria falta só quando o cliente pedia e não tinha. Ou quando chegava perto do vencimento e eu via que tinha comprado demais de um genérico que não girava. A ficha demorou pra cair, mas quando caiu, doeu: eu tava trabalhando feito condenado pra manter um sistema que não funcionava.

O dia que eu percebi que o caderno tava me custando dinheiro

Foi numa quinta-feira. Lembro bem porque era dia de fechar o pedido pro distribuidor. Eu tava lá, cruzando o que tinha vendido na semana com o que ainda tinha em estoque, tentando calcular quanto pedir de cada coisa. Demorei a manhã inteira. Quando mandei o pedido, já era meio-dia e pouco.

Na segunda seguinte, chegou o caminhão. E veio errado. Eu tinha pedido 10 caixas de um anti-inflamatório que vende bem, mas só vieram 3. Liguei pro distribuidor reclamando, e o cara me mostrou o pedido: tava 3 mesmo. Eu tinha anotado errado na planilha. Copiei o número da célula de cima sem querer.

Naquela semana, faltou o remédio. Perdi venda. Perdi cliente que foi na concorrência e não voltou mais. E o pior: não foi a primeira vez. Eu só não tinha parado pra somar quanto isso tava me custando.

Fiz as contas naquele fim de semana. Entre erro de pedido, produto vencido que eu não via a tempo, remédio que sumia e eu só descobria depois, e o meu próprio tempo enterrado naquela rotina — tava perdendo uns 4, 5 mil reais por mês. Fácil.

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Sabe o que me segurou tanto tempo nesse esquema? Eu achava que, se eu não fizesse tudo com a minha mão, eu ia perder o controle. Tipo, se eu não anotasse cada movimento, alguma coisa ia escapar. Eu tinha medo de depender de sistema, de tecnologia, dessas coisas que a gente não entende direito.

Mas a real é que eu já tinha perdido o controle fazia tempo. Eu só não queria admitir.

Porque controle de medicamentos de verdade não é você saber de cor quantas caixas de paracetamol tem na prateleira. É você ter a informação certa, na hora certa, sem precisar parar tudo pra ir conferir. É o sistema te avisar quando tá acabando, quando tá perto de vencer, quando tem divergência entre o que entrou e o que saiu.

E isso, com caderno e planilha, é impossível. Não tem ser humano que dê conta. Você pode até tentar — eu tentei por anos — mas no fim, sempre vai ter buraco. Sempre vai ter aquele remédio que você esqueceu de anotar, aquela validade que passou batido, aquele erro de digitação que vira prejuízo.

O tempo que você gasta conferindo é tempo que você não tá vendendo

Olha, eu demorei pra entender isso, mas hoje eu falo com convicção: se você tá gastando mais de meia hora por dia só conferindo estoque, alguma coisa tá muito errada na sua gestão de farmácia.

Porque o tempo do dono de farmácia é o recurso mais caro que existe no negócio. Você pode contratar balconista, pode terceirizar entrega, pode até ter um contador cuidando da parte fiscal. Mas tem coisa que só você faz: negociar margem, decidir o que entra e o que sai do mix, construir relacionamento com médico e cliente fiel.

Quando você tá preso na operação — contando caixa, conferindo nota, batendo estoque — você não tá fazendo gestão. Você tá sendo funcionário do seu próprio negócio. E funcionário não cresce. Funcionário apaga incêndio.

Eu vi isso na pele. Enquanto eu tava ali, três horas por dia com o caderninho, meu concorrente da esquina tava visitando consultório, fechando parceria, fazendo programa de fidelidade. Ele cresceu. Eu fiquei patinando.

O que mudou quando eu larguei a planilha

Não vou romantizar: no começo, foi estranho. Eu tinha aquele apego, sabe? Aquela sensação de que, se eu não tivesse o caderno na mão, eu ia perder o controle. Mas a verdade é que eu ganhei controle de verdade.

Hoje, eu abro o sistema e sei, em dois cliques, o que tá vendendo, o que tá parado, o que tá perto de vencer. O pedido pro distribuidor sai em 15 minutos, não em três horas. E quando tem divergência — tipo, vendeu no sistema mas não saiu fisicamente do estoque — eu vejo na hora, não três semanas depois.

Mas o melhor de tudo não foi nem a precisão. Foi o tempo. Eu recuperei aquelas três horas. E comecei a usar pra fazer o que realmente importa: atender melhor, vender mais, pensar no futuro da farmácia. Meu faturamento subiu 20% em seis meses. Não porque eu vendi mais caro, mas porque eu parei de perder venda por falta de produto, parei de jogar dinheiro fora com vencido, parei de errar pedido.

E, olha, eu durmo melhor. Porque eu sei que o controle de medicamentos tá rodando, mesmo quando eu não tô lá. O sistema não esquece de avisar. O sistema não copia célula errada. O sistema não fica cansado na quarta-feira de tarde.

Se você ainda tá no caderno, não é porque funciona

É porque você tem medo de mudar. Eu entendo. Eu tive esse medo. Mas te digo uma coisa: o custo de não mudar é muito maior do que o custo de mudar.

Você tá perdendo dinheiro todo mês. Com erro, com vencido, com falta de produto, com o seu próprio tempo queimado em tarefa que não devia ser manual. E o pior: você tá perdendo a chance de crescer. Porque enquanto você tá conferindo estoque, seu concorrente tá lá fora, fazendo o que você devia estar fazendo.

Gestão de farmácia de verdade não é trabalhar mais. É trabalhar certo. E trabalhar certo, hoje, significa ter um sistema para drogaria que te liberte da operação e te devolva o tempo pra você ser dono de novo, não funcionário.

Eu demorei pra aprender isso. Mas quando aprendi, tudo mudou. E pode mudar pra você também. Só depende de você largar o caderno e dar o primeiro passo.

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