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Gestão

Controle de fretes: a terça-feira em que descobri que minha equipe trabalhava dobrado

Reginaldo Stocco · 7 min de leitura
Close-up of a person filling out a form on a clipboard with packages nearby in an office setting.
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Era terça, 10h da manhã. Eu tava no telefone com o Rodrigo, motorista, que jurava que tinha entregue a carga na segunda. O cliente ligando do outro lado dizendo que não recebeu nada. A Jéssica, do financeiro, me mandando mensagem perguntando se podia emitir a nota. E eu ali, igual idiota, revirando três planilhas e dois grupos de WhatsApp pra tentar entender onde diabos tava aquele frete.

Achei. Estava entregue, sim. O canhoto digitalizado tava no celular do Rodrigo, que tinha esquecido de mandar pro grupo. A Jéssica não sabia porque ninguém avisou ela. O cliente não sabia porque o recebimento foi no depósito dele, não no escritório. Eu perdi 40 minutos da minha manhã — e a equipe inteira perdeu junto.

Não foi culpa de ninguém. Foi culpa do jeito que a gente controlava frete: cada um com um pedaço da informação, ninguém vendo o quadro inteiro, todo mundo tendo que perguntar pro outro o tempo todo. E isso se repetia todo santo dia.

Por que controle de fretes vira gargalo de produtividade?

Porque frete não é uma tarefa isolada — é uma corrente de informações que passa por comercial, operação, motorista, financeiro e às vezes até compras. Quando cada elo dessa corrente tá num lugar diferente (WhatsApp, planilha, papel, cabeça), a equipe gasta mais tempo procurando informação do que executando.

Eu vi transportadora onde o cara do financeiro ligava pro operacional três vezes por dia só pra saber se podia faturar. Vi motorista que voltava da rota e passava meia hora repassando canhoto e foto porque ninguém sabia onde guardar aquilo de um jeito que todo mundo achasse depois.

O problema não é a equipe trabalhar pouco. É trabalhar em duplicidade. Mesma pergunta respondida cinco vezes. Mesmo dado digitado em três lugares. Mesma busca refeita porque ninguém sabe onde o outro anotou.

Controle de fretes que funciona é aquele onde qualquer pessoa da equipe, a qualquer hora, consegue abrir um registro e ver: cliente, origem, destino, motorista, veículo, status, nota fiscal, canhoto, valor, se já foi pago. Tudo ali. Sem precisar perguntar pra ninguém.

O que tem que estar no controle de fretes pra equipe parar de se atropelar

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Primeiro: dados do pedido. Cliente, data de coleta, data prevista de entrega, origem, destino, tipo de carga, peso, cubagem se for o caso. Sem isso, ninguém consegue nem preparar o romaneio direito.

Segundo: vinculação com a nota fiscal pra transporte. A nota tem que estar grudada no frete, não perdida numa pasta do e-mail ou num grupo de WhatsApp. Quando o motorista sai, ele precisa saber exatamente qual nota ele tá carregando. Quando o financeiro vai faturar, precisa ver a nota do frete de um clique.

Terceiro: motorista e veículo. Parece óbvio, mas eu já vi caso de transportadora que não sabia qual caminhão tava com qual carga porque anotava só o nome do motorista — e o cara tinha trocado de veículo no meio do dia.

Quarto: status atualizado. "Aguardando coleta", "em trânsito", "entregue", "com problema". Se o status não tá claro e visível pra todo mundo, a equipe fica no telefone o dia inteiro perguntando "e aí, entregou?".

Quinto: comprovante de entrega. Canhoto assinado, foto, o que for — tem que estar anexado no mesmo lugar onde tá o frete. Não adianta ter o comprovante se ele fica no celular do motorista e ninguém mais consegue acessar.

Sexto: valores e condição de pagamento. Valor do frete, se é CIF ou FOB, prazo, se já foi faturado, se já foi pago. Financeiro não pode depender de alguém repassar isso verbalmente toda vez.

Quando esses seis pontos tão todos no mesmo lugar — seja numa planilha bem estruturada, seja num sistema — a produtividade muda de patamar. A equipe para de se interromper, para de refazer busca, para de trabalhar no escuro.

Como organizar controle de fretes quando a equipe ainda usa caderno e grupo de WhatsApp

Se hoje você tá no caderno e no grupo, o primeiro passo não é sair comprando software — é consolidar tudo num lugar só que todo mundo acesse. Pode ser uma planilha compartilhada no Google Drive, pode ser uma pasta organizada por data e cliente, pode ser um caderno físico centralizado (não recomendo, mas é melhor que cinco cadernos espalhados).

Crie uma linha (ou uma ficha) pra cada frete. Não misture frete de cliente diferente na mesma linha. Não deixe informação solta. Cada frete tem que ter um registro completo, mesmo que seja só uma linha de planilha com 12 colunas preenchidas.

Defina quem atualiza o quê. Exemplo: comercial registra o pedido e preenche cliente, origem, destino, valor. Operação aloca motorista e veículo, muda status pra "em trânsito". Motorista envia comprovante pelo WhatsApp, alguém do operacional anexa e muda status pra "entregue". Financeiro registra nota e faturamento.

Sem essa divisão clara, todo mundo vai achar que é responsabilidade do outro e nada vai ser atualizado.

Estabeleça uma rotina de atualização. Exemplo: todo frete que saiu no dia tem que estar com status atualizado até as 18h. Todo frete entregue tem que ter comprovante anexado no dia seguinte. Sem rotina, a planilha vira decoração — todo mundo continua ligando pra perguntar.

E aqui vai um aviso: planilha compartilhada aguenta até um certo volume. Se você tá fazendo 10, 15 fretes por dia, dá pra tocar. Se tá fazendo 50, a planilha vai começar a travar, gente vai sobrescrever célula sem querer, versão vai dessincronizar. Nesse ponto, insistir em planilha é teimosia — você tá pagando com a produtividade da equipe.

Controle de fretes manual vs. automatizado: onde a equipe ganha (ou perde) tempo

Vou ser direto: controle manual pode funcionar, mas ele cobra um preço alto em tempo de equipe. Toda informação que tem que ser digitada duas vezes, toda busca que depende de lembrar onde foi anotado, toda atualização que depende de alguém avisar o outro — isso tudo é tempo que podia estar sendo usado pra fechar mais frete, resolver problema de cliente, planejar rota melhor.

Eu não sou contra planilha. Sou contra desperdício. E quando a equipe tá passando 30% do dia procurando informação que deveria estar na mão, isso é desperdício puro.

Um sistema de gestão — e aqui não tô vendendo nada, tô falando do conceito — elimina duplicidade porque a informação é registrada uma vez e fica visível pra todo mundo que precisa. Quando o operacional registra que o frete saiu, o financeiro já vê. Quando o motorista marca como entregue e anexa o canhoto, todo mundo já sabe. Ninguém precisa ligar, mandar mensagem, perguntar.

Além disso, um sistema organiza automaticamente. Você não precisa criar pasta, renomear arquivo, lembrar onde salvou a nota. Tudo fica grudado no frete. Quer ver todos os fretes entregues ontem? Filtra. Quer saber quantos fretes o Rodrigo fez esse mês? Filtra. Quer listar tudo que ainda não foi faturado? Filtra.

Na planilha, cada uma dessas perguntas vira uma busca manual, uma contagem, às vezes até uma planilha auxiliar. No sistema, é um clique.

Não tô dizendo que você tem que migrar amanhã. Tô dizendo que, se a equipe tá reclamando que não dá conta, que vive apagando incêndio, que passa o dia respondendo a mesma pergunta — o problema provavelmente não é falta de gente. É ferramenta errada pro volume que você já tem.

O que muda na produtividade quando cada frete tem histórico completo

Voltando àquela terça-feira: o que me custou 40 minutos não foi a entrega. Foi a falta de histórico. Se eu tivesse aberto o frete e visto "entregue em 16/12, 14h23, canhoto anexado, cliente: depósito Rua X", a conversa toda teria durado 2 minutos.

Histórico completo significa que qualquer pessoa consegue reconstituir o que aconteceu sem depender da memória de quem tava lá. Isso muda tudo.

Cliente liga reclamando que não recebeu? Você abre o frete, vê que foi entregue dia tal, hora tal, assinado por fulano, e resolve a questão em 30 segundos. Sem histórico, você entra num vai-e-vem de "deixa eu ver", "vou perguntar pro motorista", "te retorno".

Motorista diz que entregou, mas financeiro não faturou ainda? Você abre o frete e vê se o comprovante foi anexado ou não. Se foi, financeiro fatura. Se não foi, cobra do motorista. Sem histórico, vira briga de "eu avisei" contra "não recebi".

Equipe nova entra? Ela consegue aprender olhando o histórico dos fretes antigos, vendo como é o fluxo, o que precisa ser preenchido, onde anexa documento. Sem histórico, ela depende de treinamento verbal que nunca cobre tudo e vira telefone sem fio.

Na minha experiência, transportadora que mantém histórico completo de frete ganha, no mínimo, 1 hora produtiva por pessoa por dia — só em não precisar refazer busca e não precisar religar pra confirmar informação. Em equipe de cinco pessoas, isso é uma semana inteira de trabalho ganha por mês.

E não é só produtividade. É saúde mental. Equipe que não precisa adivinhar, que não precisa depender da boa vontade do colega pra repassar informação, trabalha com menos estresse e menos atrito. Isso não aparece em planilha, mas aparece na rotatividade e no clima.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre controle de fretes e romaneio de carga?
Romaneio é a lista de itens ou notas que estão sendo transportados em uma viagem específica. Controle de fretes é o registro completo de cada operação de transporte, incluindo cliente, motorista, veículo, valores, status, comprovantes e histórico. O romaneio faz parte do controle de fretes, mas o controle vai muito além: ele acompanha o frete do pedido até o recebimento e faturamento.
Como saber se meu controle de fretes está funcionando?
Se qualquer pessoa da equipe consegue, em menos de 1 minuto, responder perguntas como "esse frete foi entregue?", "qual motorista levou?", "a nota já foi emitida?", "tem comprovante anexado?" sem precisar ligar pra ninguém, o controle está funcionando. Se essas perguntas geram busca, telefonema ou "deixa eu ver e te retorno", o controle está falhando.
Preciso de software de gestão ou dá pra controlar frete em planilha?
Planilha funciona até cerca de 15 a 20 fretes por dia, desde que seja compartilhada, bem estruturada e atualizada por toda a equipe com disciplina. Acima desse volume, ou quando a equipe passa mais de 30% do tempo procurando informação em vez de executando, a planilha vira gargalo. Nesse ponto, um sistema de gestão deixa de ser luxo e vira ferramenta de produtividade.
O que fazer quando o motorista não envia o comprovante de entrega a tempo?
Estabeleça uma regra clara: comprovante de entrega (canhoto assinado ou foto) deve ser enviado no mesmo dia da entrega, antes do motorista encerrar o expediente. Vincule isso a algum processo que o motorista dependa, como liberação do próximo frete ou fechamento de viagem. Se o envio for manual e disperso (WhatsApp, e-mail), centralize num único canal. Sistemas de gestão permitem que o motorista anexe direto no frete via aplicativo, eliminando esquecimento.
Como organizar controle de fretes quando trabalho com terceiros e frota própria ao mesmo tempo?
Registre cada frete indicando se foi feito com veículo próprio ou terceirizado, e vincule motorista e veículo ao registro. Para terceiros, inclua também o nome da transportadora parceira e valor do repasse. Assim você consegue filtrar e comparar desempenho, custo e prazo entre frota própria e terceiros, e tem rastreabilidade completa independente de quem executou o frete.

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