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Gestão

Controle de fretes: a 'ajudinha' que eu dava e que quase quebrou minha transportadora

Reginaldo Stocco · 6 min de leitura
Two men in discussion over vehicle maintenance documents in a garage setting with trucks in the background.
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Deixa eu te confessar uma coisa. Por anos, eu tive um orgulho danado da minha planilha de controle de fretes. Era o meu xodó. Tinha umas fórmulas, umas cores... e o principal: era 'flexível'. Se um motorista ligasse no meio do caminho com algum imprevisto, meu pessoal do escritório podia simplesmente abrir o arquivo, digitar uma observação na célula do lado e vida que segue. Eu achava que tava ajudando, sendo um chefe parceiro.

Essa 'ajudinha' me custou caro. Lembro como se fosse hoje. Sexta-feira, quatro da tarde. O telefone toca. Era o Cláudio, um motorista antigo, gente boa. Ele tava no cliente pra descarregar uma carga de alto valor e o pessoal do recebimento lá não queria aceitar a nota. O valor combinado, segundo eles, era outro. E o pior: eles tinham um e-mail do meu comercial com esse outro valor.

Corri pra minha planilha-xodó. E aí o castelo de cartas desabou. Tinha a linha do frete do Cláudio, sim. Mas na coluna de observações, alguém tinha escrito 'ver com financeiro'. Em outra célula, uma anotação sobre 'desconto pendente'. Ninguém sabia quem escreveu, quando, ou por quê. O comercial tinha negociado uma coisa, o financeiro entendeu outra, e o Cláudio, na ponta, ficou com a bomba na mão. Naquele dia, pra não perder o cliente, eu tive que arcar com a diferença. Tirei do bolso. Foi ali que eu entendi: meu controle 'flexível' era, na verdade, uma fábrica de prejuízo.

Afinal, o que é controle de fretes e por que a planilha não dá conta?

Vamos direto ao ponto. Controle de fretes é saber tudo sobre cada viagem. Tudo mesmo. Quanto custou, por quanto foi vendido, quem é o motorista, qual o caminhão, qual o status, se teve algum problema... É a certidão de nascimento, vida e morte de cada serviço que sua transportadora presta.

O problema da planilha, que eu aprendi da pior forma, não é a falta de colunas. Você pode criar 50 colunas se quiser. O problema é que ela aceita qualquer coisa. Ela não conversa com ninguém. A informação do CTe não aparece nela sozinha. O financeiro não sabe se o frete da linha 42 já foi pago ou não sem que alguém vá lá e pinte a célula de verde.

Ela depende 100% da disciplina e da memória das pessoas. E no dia a dia da transportadora, com telefone tocando, motorista ligando, cliente cobrando... essa disciplina falha. Não é por maldade. É porque o processo é frágil. Uma pessoa esquece de atualizar, outra salva o arquivo com um nome diferente, uma terceira apaga uma linha sem querer. Pronto. O caos tá instalado e o dinheiro tá vazando pelo ralo.

Como a falta de um controle de fretes rígido afeta a produtividade da sua equipe?

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Chega de planilha e anotação em caderno. Centralize a emissão de CTe e MDF-e, o financeiro e o controle de cada frete em um só lugar. Tenha a visão completa do seu negócio.

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Isso aqui é o que muito dono não enxerga. A gente olha pro custo do diesel, pro preço do pedágio, mas não vê o custo da desorganização. A falta de um controle de fretes decente transforma seu escritório num eterno "call center" de bombeiros.

Pensa na cena: a moça do financeiro precisa faturar os fretes da semana. Ela abre a planilha e vê cinco fretes marcados como 'Entregue'. Mas cadê os canhotos assinados? Ela precisa levantar, ir na mesa do rapaz da logística e perguntar. Ele não sabe, tem que ligar pro motorista. O motorista tá na estrada, não pode atender. A fatura que podia sair em 5 minutos leva a manhã inteira.

Isso é produtividade indo pro lixo. É gente boa e cara gastando tempo pra caçar informação que já deveria estar disponível, clara, pra todo mundo. Seu time não consegue trabalhar direito. Eles vivem pra resolver o problema de ontem, não pra planejar o de amanhã. E a culpa não é deles, é da falta de ferramenta.

Quando a informação de cada frete não está centralizada e acessível, você não tem uma equipe, você tem um bando de gente correndo em círculos e se trombando. O estresse aumenta, o erro acontece e a paciência do cliente acaba.

Quais informações são essenciais para um controle de fretes que funciona de verdade?

Ok, você já entendeu que a planilha da 'tia' não serve mais. O que precisa ter, então, num controle que presta? Na minha experiência, o mínimo, o arroz com feijão bem feito, é o seguinte.

  • Dados do Documento Fiscal: Chave de acesso e número do CTe ou MDF-e. Isso é o CPF do frete, tem que ser o ponto de partida.
  • Origem e Destino: Parece óbvio, mas precisa estar padronizado. Chega de 'S. Paulo' ou 'Rio'. É São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ. Padronização evita erro em relatórios.
  • Cliente e Destinatário: Quem paga a conta e quem recebe a mercadoria. Com CNPJ, pra não ter dúvida.
  • Veículo e Motorista: Qual placa e qual motorista estão fazendo aquela viagem. Essencial pra rastreio e pra gestão da sua frota e pessoal.
  • Custos Diretos: Quanto foi gasto de combustível (uma estimativa ou o valor real), pedágios, e qual a comissão do motorista, se houver. Sem isso, você não sabe se o frete deu lucro.
  • Valores e Prazos: O valor negociado do frete, a data de vencimento pra pagamento e a data que o cliente efetivamente pagou.
  • Status em Tempo Real: Isso é o pulo do gato. Precisa ser claro: 'Agendado', 'Em trânsito', 'Entregue', 'Faturado', 'Pago'. E esse status tem que ser atualizado de forma simples e rápida.
  • Ocorrências: Avaria na carga? Atraso por causa de estrada bloqueada? Devolução? Tem que ter um campo pra registrar isso de forma oficial, não no WhatsApp.

Olhando essa lista, você percebe? É muita informação conectada. Fazer isso na mão é pedir pra errar. Um bom sistema de gestão já puxa boa parte disso de outros lugares. Quando você emite um CTe, por exemplo, ele já cria o registro do frete com 80% desses dados preenchidos, eliminando o erro de digitação.

Como sair do caos e implementar um controle de fretes profissional?

Sair da planilha e ir pra um método profissional parece um bicho de sete cabeças, mas não é. É um processo. Não acontece de sexta pra segunda. Mas precisa começar.

O primeiro passo é admitir que o jeito atual não funciona. Foi o que eu fiz depois daquele prejuízo com o frete do Cláudio. Engoli o orgulho da minha planilha e sentei com a equipe.

O segundo passo é mapear seu processo. Pega um papel e desenha. Como um pedido de frete chega hoje? Quem anota? Pra onde vai essa anotação? Quem emite a nota? Como o motorista é informado? Como vocês sabem que entregou? Como o financeiro cobra? Você vai ver os buracos, os pontos onde a informação se perde.

Terceiro: defina o padrão. Use a lista que eu dei no tópico anterior e decida: a partir de hoje, nenhum frete é feito sem que essas informações estejam registradas em UM LUGAR. Um só. Chega de caderno, post-it e grupo de zap.

E aí vem a decisão mais importante: onde será esse 'um lugar'? Você pode até tentar com uma super planilha no Google Sheets, com acessos restritos e validação de dados. Dá um pouco mais de trabalho, mas já é melhor que um arquivo de Excel solto na rede. Mas, sendo sincero, o caminho de verdade é um sistema de gestão para transportadoras.

Aí tudo se integra. O CTe que você emite já alimenta o controle de fretes. O financeiro, na tela dele, já vê quais fretes foram entregues e pode faturar com um clique. O contas a receber é atualizado automaticamente quando o cliente paga. Acaba o 'eu acho que'. Você passa a ter certeza. O controle deixa de ser uma tarefa e vira uma consequência natural do seu trabalho.

A 'ajudinha' que eu dava pro meu time era não dar a eles um processo claro e uma ferramenta decente. O controle de fretes não é pra ser chato. É pra dar paz. Paz pro motorista na estrada, paz pro seu pessoal no escritório e, principalmente, paz pra você na hora de fechar o caixa no fim do mês.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre controle de fretes e gestão de frotas?
O controle de fretes foca na operação de transporte em si: custos, rentabilidade, status da entrega e documentação de cada viagem. A gestão de frotas é mais ampla, cuidando da saúde dos veículos: manutenções preventivas, controle de pneus, consumo de combustível e documentação dos caminhões.
Preciso emitir CTe para todos os transportes para ter um bom controle?
Sim. O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CTe) é o documento fiscal que oficializa a prestação do serviço. Além de ser uma obrigação legal na maioria dos casos, ele serve como ponto de partida para um controle de fretes eficaz, centralizando informações cruciais como remetente, destinatário, valor e impostos.
Como calcular a rentabilidade de cada frete de forma precisa?
Para calcular a rentabilidade, subtraia todos os custos diretos do valor recebido pelo frete. Os custos incluem combustível, pedágios, comissão do motorista, e uma parcela dos custos indiretos (como manutenção e seguro do veículo). Um controle de fretes detalhado é fundamental para registrar esses custos e apurar o lucro real de cada operação.
É possível fazer o controle de fretes pelo celular?
Sim, é totalmente possível e recomendado. Sistemas de gestão modernos oferecem aplicativos móveis que permitem a você e sua equipe consultar o status de entregas, registrar ocorrências, anexar fotos de canhotos e acessar informações financeiras de qualquer lugar, agilizando a comunicação e a tomada de decisão.

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