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Gestão

Controle de Estoque Construção: A diferença entre apagar incêndio e gerir de verdade

Reginaldo Stocco · 6 min de leitura
A bustling airport entrance with vehicles and people in Roissy, France.
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Outro dia eu tava tomando um café na padaria e ouvi uma conversa na mesa do lado. O dono de uma loja de material de construção, dava pra ver pela camisa da empresa, falando no telefone, quase gritando.

“Peraí, seu João, que vou ver o preço do cimento pra você... Alô, Fátima? Vê pra mim quanto tá a saca do CP II na última nota que chegou... Não, não, a que chegou ontem! Não, não sei se o preço mudou. Liga lá no fornecedor e pergunta quanto tá pra entregar hoje!”

Eu dei um sorrisinho amargo. Já estive nesse lugar. Esse é o empresário “reativo”. Ele não gere, ele reage. O preço dele é formado no susto, na hora, dependendo da última informação que ele conseguiu pescar. E o seu João, o cliente do outro lado da linha, tá esperando.

Enquanto isso, o concorrente dele, o organizado, já tem o preço na ponta da língua. Ele sabe o custo do cimento que ele tem no estoque, sabe a margem que precisa e dá a resposta em dez segundos. Quem você acha que o seu João vai preferir da próxima vez?

O que é esse tal de 'vender no susto' e por que isso quebra sua loja?

Vender no susto é exatamente o que você viu na cena do café. É não ter a menor ideia do custo real do seu produto. É pegar o telefone e ligar pro fornecedor pra saber o preço de reposição e usar isso pra precificar o estoque que você já comprou e pagou há semanas, talvez meses.

Qual o problema disso? São vários.

Primeiro, você pode estar vendendo com prejuízo. O preço do aço subiu hoje? Ótimo. Você aumenta o preço do vergalhão. Mas e quando o preço cai? Você lembra de baixar? Na correria, a gente raramente lembra. O resultado é que seu preço fica fora do mercado e o cliente vai pra outro lugar.

Segundo, e pior ainda: você pode estar vendendo o lote antigo, que você pagou mais barato, com o preço do lote novo, que veio mais caro. Parece bom, né? Lucro extra. Só que não. Quando você for repor esse estoque, vai pagar o preço novo, mais alto. Se você não provisionou essa diferença, vai tirar dinheiro do bolso pra completar o caixa e comprar a mesma quantidade de antes.

É assim que a gente começa a se enrolar. A loja parece que vende, tem movimento, mas no fim do mês a conta não fecha. O dinheiro some. E ele some aí, na falta de um controle de estoque de construção que te diga o custo médio de cada parafuso.

Como um bom controle de estoque construção muda o jogo?

Solução para o seu segmento

Chega de vender no susto e perder dinheiro.

Veja na prática como um sistema de gestão organiza seu estoque, suas vendas e seu financeiro. Organize a casa e veja sua margem de lucro crescer.

Organizar minha loja

Agora vamos pro outro lado da rua, pra loja do empresário organizado. Ele não depende da memória nem da sorte.

Quando um produto novo chega, ele não vai direto pra prateleira. Primeiro, a nota fiscal é lançada num sistema. A quantidade é conferida. O preço de compra é registrado. Automaticamente, o custo médio daquele produto é recalculado. Se o cimento que ele tinha em estoque custava R$28 e o novo lote chegou a R$30, o sistema ajusta o custo médio de todas as sacas para, digamos, R$29,10.

Com esse número na mão, ele não tem dúvida. Ele sabe que pra ter a margem de lucro de 25% que ele definiu, o preço de venda precisa ser R$36,38. Ele arredonda pra R$36,40 e a etiqueta é trocada antes mesmo de o cliente perguntar.

Percebe a paz que isso traz? A decisão deixa de ser um chute e passa a ser matemática. Não tem “eu acho”. Tem “o custo é X, a margem é Y, o preço de venda é Z”.

Fazer essa gestão de custo médio numa planilha até dá. Eu mesmo já tentei, lá no começo. Mas a verdade é que toma um tempo que a gente não tem. A cada nota que chega, você tem que abrir a planilha, achar a linha do produto, fazer a conta... na terceira nota do dia você já largou de mão. Um sistema de gestão integrado faz isso sozinho a cada entrada de mercadoria. É um alívio que libera sua cabeça pra pensar no que importa: vender mais e melhor.

Na prática: por onde começar a organizar o seu estoque?

Ok, você entendeu o problema e quer mudar. Cansou de apagar incêndio. Mas por onde começar? A montanha de material parece grande demais pra escalar. Calma. É um passo de cada vez.

  1. Faça um inventário geral. O famoso 'dia D'. Sei que é chato. Sei que dá trabalho. Mas é o único jeito. Escolha um dia de movimento fraco, ou feche a loja por um dia se for preciso. Chame a equipe, imprima umas folhas e vá contar. Tudo. Do s
  2. Crie um processo de entrada de mercadoria. Regra de ouro: nada entra no estoque ou na prateleira sem antes a nota fiscal ser conferida e lançada. O motorista do fornecedor tá com pressa? Problema dele. Você precisa conferir se o que tá na n
  3. Crie um processo de saída de mercadoria. Tudo que sai da loja, TUDO, precisa ser registrado. Aquela venda de balcão de R$ 5,00 em fita veda-rosca, o 'fiozinho' que o eletricista parceiro pega e 'depois acerta'. Isso precisa acabar. Se saiu,
  4. Comece a analisar o giro. Depois de um ou dois meses registrando tudo, você vai começar a ter dados. E dados são poder. Você vai ver claramente quais são os 20% de produtos que geram 80% do seu faturamento (a famosa Curva A). É neles que se

O erro que eu mais vejo: confundir estoque cheio com dinheiro no bolso

Essa é uma mentalidade que a gente herda, eu acho. Olhar pro galpão cheio e sentir segurança. “Olha aí, tenho de tudo. Se o cliente pedir, eu tenho.” Parece fazer sentido, mas financeiramente é uma armadilha perigosíssima.

Estoque é dinheiro parado. Pior, é dinheiro que custa dinheiro. Custa espaço, custa seguro, e tá sujeito a um monte de riscos: umidade que estraga o cimento, avaria no transporte dentro da loja, mudança de norma que torna uma conexão obsoleta, ou até mesmo roubo.

Eu já vi loja quebrar com o estoque abarrotado. Vendia, mas o dinheiro que entrava mal dava pra pagar as contas do mês, porque o lucro estava todo imobilizado naquelas prateleiras. O dono não tinha capital de giro pra aproveitar uma boa oportunidade de compra, porque o dinheiro dele estava todo empatado em dez tipos diferentes de piso que vendem uma vez por ano.

Um bom controle de estoque construção não serve só pra você saber o que tem. Serve, principalmente, pra te dizer o que você *não deveria ter*. Ele te dá a clareza pra transformar aquele estoque de baixo giro em dinheiro vivo na sua mão, através de uma promoção planejada. E com esse dinheiro, você compra mais do que vende todo dia.

Mudar essa chave de 'ter de tudo' para 'ter o que vende' é o que separa o amador do profissional. E a ferramenta pra fazer essa mudança é um controle de estoque que funciona de verdade, que te dá relatórios de giro, que te mostra há quanto tempo um produto não é vendido.

No final, gerir é decidir. E você só decide bem se tiver a informação correta na mão. Chega de vender no susto. Tá na hora de pegar o controle.

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Perguntas frequentes

Qual o melhor método de controle de estoque para material de construção, PEPS ou Custo Médio?
Para a maioria das lojas de material de construção, o método do Custo Médio Ponderado é o mais prático e recomendado. Ele recalcula o custo unitário do produto a cada nova compra, refletindo as flutuações de preço dos fornecedores de forma equilibrada. O PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) é mais complexo de controlar sem um sistema robusto, especialmente com itens de baixo valor e alto volume.
Com que frequência devo fazer o inventário da minha loja?
O ideal é combinar duas práticas. Realize um inventário geral completo pelo menos uma vez por ano para zerar as contagens e validar todo o estoque. Além disso, implemente um inventário rotativo: a cada semana, conte um grupo específico de produtos, priorizando os itens da Curva A (os mais vendidos e mais caros). Isso mantém seu estoque acurado o ano todo, sem precisar fechar a loja.
Como lidar com perdas de material (quebra, avaria, umidade) no controle de estoque?
Perdas devem ser tratadas com rigor. Crie um processo de 'baixa por perda'. Quando um produto é danificado, ele deve ser registrado como uma saída específica, não como venda. Isso ajusta a quantidade em estoque para o número real, evita que o sistema aponte um item que não existe e permite analisar os custos com perdas, ajudando a identificar problemas de armazenamento ou manuseio.
É melhor usar planilha ou um sistema de gestão para o controle de estoque de construção?
Planilhas são uma opção inicial de custo zero, mas são manuais, suscetíveis a erros de digitação e não se integram com outras áreas. Um sistema de gestão, apesar do investimento, automatiza o controle, integra o estoque com vendas e financeiro, calcula o custo médio automaticamente, gera relatórios de giro e reduz drasticamente os erros humanos, fornecendo uma visão mais confiável do negócio.

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