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Gestão

Controle de estoque construção: como perdi um cliente fiel numa terça-feira

Reginaldo Stocco · 5 min de leitura
Woman engineer in safety gear with braided hair talks on phone in industrial setting.
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Terça-feira, nove da manhã. O cheiro de cimento e poeira no ar. O Zé, pedreiro dos bons, cliente há mais de cinco anos, encosta no balcão. "E aí, meu amigo, me vê cinco sacos daquela argamassa AC3 que só você tem."

Eu sorri. Venda fácil, cliente fiel. "Pra já!". Fui pro fundo da loja, olhei a prateleira. Ué. Cadê? Olhei a outra. Nada. Fui no depósito, revirei tudo. O coração começou a acelerar. Eu tinha certeza que tinha comprado na semana passada. Onde foi parar aquilo?

Voltei pro balcão, com aquela cara de quem vai dar notícia ruim. "Ô Zé... acabou. Mas chega mais na quinta." A cara dele murchou na hora. "Putz, não dá pra esperar. A obra tá correndo. Vou ter que ver ali no concorrente." E foi. Cinco anos de fidelidade indo embora pela porta por causa de cinco sacos de argamassa.

Naquele dia eu entendi na pele uma coisa: controle de estoque não é sobre organizar prateleira. É sobre manter a palavra que você empenha com seu cliente sem nem abrir a boca. É a promessa de que, se ele vier até você, ele vai encontrar o que precisa.

Por que o caderninho é o maior inimigo da sua reputação?

Eu sei, eu também já fui o cara do caderninho e da planilha. A gente anota a compra grande que chega, anota uma venda ou outra, mas na correria do dia a dia, a coisa desanda. Uma venda de balcão que não foi registrada, uma devolução que ficou esquecida, um produto que o funcionário pegou e não deu baixa... pronto. A realidade do seu estoque já não bate com o papel.

O problema não é você, nem sua equipe. O problema é o método. Ele depende 100% da memória e da disciplina humana, e nós falhamos. É normal. O que não é normal é continuar insistindo no erro quando ele te faz perder dinheiro e cliente.

Pensa comigo: o Zé não ficou bravo porque eu não tinha a argamassa. Ele ficou frustrado. Ele confiou que teria, perdeu o tempo dele vindo até minha loja. A culpa não é do concorrente que tinha o produto, a culpa é minha que prometi ter e não cumpri. Essa quebra de confiança é mil vezes pior que a venda perdida.

Como começar um controle de estoque construção do zero (de verdade)

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Chega de perder cliente por furo no estoque.

Organize suas vendas, seu estoque e seu financeiro em um só lugar. Veja como um sistema de gestão pode transformar a realidade da sua loja e te dar o controle total do seu negócio.

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Depois daquele dia, eu virei a mesa. E não precisa ser um bicho de sete cabeças. A primeira coisa, e a mais dolorosa, é fazer um inventário geral. Feche a loja por um dia se precisar, chame a família, pague um extra pros funcionários, mas conte TUDO. Cada parafuso, cada saco de cimento, cada lata de tinta.

Isso vai te dar o seu "Ponto Zero". A partir daqui, nenhuma agulha entra ou sai sem registro. E pra isso funcionar, você precisa de duas coisas simples:

  1. Padronize os nomes dos produtos: Chega de 'Cano PVC 3/4' e 'Tubo de 20mm'. Crie um padrão único. 'Cano PVC soldável 20mm'. Isso evita que você tenha o mesmo item cadastrado com dois nomes e ache que tem o dobro do que realmente possui.
  2. Defina um processo de entrada e saída: Toda nota fiscal de compra que chega? O material só entra no estoque depois de ser conferido e lançado. Toda venda? O produto só sai do caixa com a baixa automática no sistema. Sem exceção. 'Ah, mas é

Sei que parece chato, burocrático. Mas é mais chato ainda ter que olhar na cara do cliente e dizer "acabou". Um bom sistema de gestão faz esse trabalho sujo por você. A venda no caixa já dá baixa no estoque, a nota de compra já alimenta a entrada. Você para de ser o guarda do estoque e vira o estrategista do seu negócio.

Use a Curva ABC para comprar melhor e vender mais

Depois que você tem os dados minimamente organizados, dá pra começar a fazer mágica. A primeira delas se chama Curva ABC. É um jeito chique de dizer o que a sua avó já sabia: tem coisa que vende mais, tem coisa que vende menos.

Na prática, funciona assim:

  • Itens A: São poucos produtos, uns 20% do seu total, mas que representam uns 80% do seu faturamento. Cimento, vergalhão, argamassa... Esses itens NÃO PODEM FALTAR. Nunca. O controle sobre eles tem que ser diário, rigoroso.
  • Itens B: São uma galera do meio, uns 30% dos itens que respondem por uns 15% do faturamento. Ferramentas, canos específicos, conexões. Você precisa ter um bom estoque deles, mas o controle pode ser semanal.
  • Itens C: É a maioria dos seus produtos (uns 50%) mas que respondem por uma fatia pequena do faturamento (5%). Parafusos especiais, lixas, fitas... Aqui você pode ter um estoque de segurança menor e o controle pode ser mais espaçado.

Fazer essa análise na mão, em uma planilha, é um trabalho de Hércules. Você teria que exportar meses de vendas, cruzar dados... eu já tentei, desisti no meio. Hoje, a maioria dos sistemas de gestão para material de construção te dá esse relatório com um clique. Ele olha suas vendas e te diz: "chefe, foca nesses 20 produtos aqui que eles pagam tuas contas".

Saber isso muda completamente como você negocia com fornecedor, como você organiza o espaço físico da loja e, principalmente, onde você investe o seu dinheiro.

Deixando de ser bombeiro para virar gestor do seu dinheiro

No fim das contas, um controle de estoque construção bem feito não é sobre produtos, é sobre dinheiro. Cada produto na sua prateleira é uma nota de cem reais que você deixou ali, parada.

Quando o estoque tá uma bagunça, você compra no susto. O cliente pede, você não tem, sai correndo pra comprar do distribuidor mais caro, com frete de urgência. Você apaga o incêndio, mas sua margem de lucro vira fumaça.

Quando você tem o controle, você compra com inteligência. Você sabe que a argamassa do Zé (sim, aquela mesma) vende X sacos por mês. Você define um estoque mínimo. Quando o sistema apita que chegou nesse mínimo, você já tem tempo de cotar com calma, negociar um preço melhor, esperar o frete mais barato.

Você para de viver no reativo, apagando incêndio, e começa a agir no proativo, planejando. E é aí, meu amigo, que a loja de material de construção deixa de ser só um negócio que paga as contas e vira uma empresa que te dá lucro e tranquilidade. Acredite, vale cada centavo e cada minuto investido pra chegar nesse ponto.

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Perguntas frequentes

Com que frequência devo fazer o inventário na minha loja de material de construção?
Em vez de um grande inventário anual, adote o inventário rotativo. Conte um grupo pequeno de produtos todos os dias ou toda semana. Priorize os itens da Curva A (de maior valor e giro) para contagens mais frequentes, como semanais. Itens da Curva C podem ser contados mensalmente ou bimestralmente. Isso mantém a precisão do estoque sem precisar parar a loja inteira.
O que é estoque de segurança para material de construção?
Estoque de segurança é uma quantidade extra de um produto que você mantém para cobrir imprevistos, como atrasos na entrega do fornecedor ou um aumento repentino na demanda. Para um item como cimento, por exemplo, se você vende em média 10 sacos por dia e o fornecedor leva 3 dias para entregar, seu estoque mínimo deveria acionar um novo pedido quando ainda houver estoque para mais 3 dias (30 sacos) mais uma margem de segurança (ex: 15 sacos).
Como lidar com perdas de material (cimento empedrado, itens quebrados)?
Toda perda deve ser registrada imediatamente. Crie um processo claro: o funcionário que identificou a avaria ou perda preenche um formulário simples ou faz o lançamento em um sistema com a justificativa (ex: "quebra no transporte", "vencimento"). Essa baixa por perda é tão importante quanto a baixa por venda, pois ajusta o número real de itens disponíveis e evita que você tente vender um produto que não existe mais.
Vale a pena usar um sistema de gestão só para o controle de estoque?
O valor de um sistema está na integração. Embora o controle de estoque seja um grande benefício, um bom sistema integra essa informação com o setor de vendas, compras e financeiro. Ao vender um produto, o estoque é atualizado, o financeiro registra a entrada e o sistema pode sinalizar a necessidade de compra, tudo automaticamente. Usá-lo apenas para estoque é subutilizar uma ferramenta poderosa.

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